16.8.09

REPULSA
“vamos começar colocando um ponto final”

Á
s vezes, é muito difícil saber o que fazer da vida. E quando não decidimos ou temos pulso firme (coragem) de ter nossas idéias, ideologias e convicções, acabamos seguindo o fluxo sendo apenas mais um, atomizados e dominados pela desconexão e falta de sentido. Existe uma máxima que fala que “quando não fazemos nossas próprias escolhas, a vida se encarrega delas”. Ás vezes, é preciso tomar a rédea dessas nossas escolhas.


Comecei a escrever essa “repulsa” ao receber um roteiro para uma série de TV. E ai vem a escolha: Por um momento poderia ter desviado meu foco, o que tem pautado meus objetivos e ideais e apenas ter aceitado o trabalho. Afinal de contas, poderia ter sido mais um trabalho...
Lendo o roteiro, minha cabeça começou a rodar e o que percebi foi que o único ponto em que conseguia pensar era: Por que apoiar um projeto assim? Tão besta, inútil e fútil? E olhando para o lado, deveríamos perceber que vivemos em um mundo onde as coisas deveriam ser levadas bem mais á sério.

Não vou apoiar um projeto emburrecedor. Meu objetivo não é esse: produzir futilidades, nem hipnotizar a ninguém com tanta bobagem, subestimar um povo que não considero burro, apenas medíocre, que por costume, nada questiona.
Como disse anteriormente, tudo é uma questão de escolha. Eu busco fazer a minha. Não quero ter um olhar conformista. Este rótulo deixo pros robôs. Buscar a criatividade, gostei muito de ler esse texto de Jodorowsky: "Quiero explicar qué es la creatividad en su conjunto y por qué la creatividad es tan rara. La creatividad es tan extraña que con ella se puede llegar a ser Cristo, Buda, La Virgen o Atenea".

Ah, mas preciso de dinheiro, quem não precisa? Não vou morrer de fome, apenas não vou cheirar dunas de cocaína ou me embriagar bebendo rios de dinheiro.
Prefiro me preencher por algo mais vital e que me fale mais diretamente do mundo em que vivemos e, principalmente, do lugar que ocupamos nesse mundo. Sem falsa demagogia, grandes retóricas ou pseudo-discursos panfletários que não nos levam a lado algum. E como eu costumo dizer: “um remédio anti-hipocrisia, uma fonte de alegria”.
De que adianta ganhar esse dinheiro e ao olhar no espelho, não me reconhecer? Ou não gostar daquilo que vejo? Me envergonhar do meu próprio trabalho?

É muito fácil continuar atomizado e pensar que “esse é só mais um trabalho”, ou chavões como o “povo precisa de entretenimento”, ou o pior deles; “é esse o padrão de TV”. Ainda mais, quando um assunto importante é banalizado e transmitido a milhares, milhões de pessoas.

A audiência mudou, a internet e outros meios de comunicação são a prova de que o publico espera algo mais. E que esse “algo mais” transmita uma sensibilidade e um cuidado mais iminente.
Enquanto “comunicadores”, seja na TV ou no cinema temos o dever de sermos cuidadosos com nossas “obras”. Para isso, nossa busca tem que ser intensa e o processo é árduo. É preciso olhar para dentro, estudar o assunto, sem preconceitos, sem ressalvas. Só assim, o processo é completo.

A arte para mim, é isso. Mergulhar fundo, ter um olhar livre, liberado das amarras e quem sabe conseguir ir alem.
Lynch disse: “Se você quer pegar peixes pequenos pode ficar em água rasa. Mas se quer peixes grandes é preciso ir nas profundezas e esses peixes sim são mais poderosos e puros, são fortes e abstratos, e são muito bonitos”. Eu considero muito essa frase de Lynch, ele tem razão, é como a floresta você não encontra os mais bonitos, grandes, abstratos e poderosos animais ao redor da floresta e sim dentro dela.

O grande problema é que trabalhar com audiovisual é fazer propaganda, ou seja, política. A diferença entre propaganda e publicidade é que a publicidade vende produtos e a propaganda, propaga ideologias, e na maioria das vezes, com a intenção de reproduzir as diferenças sociais.

Você não é um assassino mas acaba trabalhando a serviço de assassinos. hoje você vive o que os punks sonhavam DO IT YOURSELF. Ou seja, faça você mesmo!

O governo investe milhões no lixo, ou melhor, nas coberturas do leblon, jardins e cidade jardim, onde se encontra o verdadeiro circo do cinema nacional. O cinema hoje é uma CINE-NOVELA, como se dizem por aí, cinema é pura diver$ão!

“Nós estamos entrando” como diz Banksy em seu maravilhoso manifesto. NÓS ESTAMOS ENTRANDO!

REPITO: NÓS ESTAMOS ENTRANDO!

“SINDICATO DE LADRÕES, FALSOS PRODUTORES!”

Projeções: Buenos Aires - ARGENTINA









"Tropa de elite é facismo, Quado enterram o soldado morto, que eles jogam uma bandeira de caveira sobre a bandeira brasileira, fora as torturas e transferências de culpa da condição social para a classe media, sendo que os detentores do poder sempre foram os mesmos e estes são os culpados do holocausto social". (Comentário de Carlosmagno Rodrigues)

Texto por Alonso Pafyeze

3 comentários:

Débora disse...

Oi Pafy, fiquei emocionada com seu manifesto desabafo, desejo boa sorte nos novos projetos, mais autênticos, com amor, d

oconrado.bh@terra.com.br disse...

GRANDE PAFYZERA!
CURTI MUITO SEU TEXTO.
COMPARTILHO DEMAIS DESSAS SUAS IDEIAS.
JA TO BOTANDO A CABEÇA PRA FORA DA PANELA DE PRESSAO PRA CONSEGUIR GANHAR GRANA FAZENDO COISAS MAIS LEGAIS.
TO ACREDITANDO QUE DA'.
VAMO Q VAMO!
ABRAÇO!
CONRA.

Calberty disse...

pafy...curti muito do seu modo de expressar,vai q o topo é seu!